Antiguidade
A história da Coreia começa há milhares de anos na península coreana, uma região montanhosa localizada no leste da Ásia. Segundo a tradição coreana, o primeiro Estado teria sido fundado por Dangun, um personagem lendário, por volta de 2333 a.C. Esse reino inicial é chamado de Gojoseon.
Com o tempo, o território foi ocupado por diferentes povos e pequenos Estados. Entre o século I a.C. e o século VII d.C., a península ficou dividida em três grandes reinos conhecidos como os Três Reinos da Coreia. Esses reinos eram Goguryeo, Baekje e Silla.
Goguryeo ocupava o norte da península e também partes da Manchúria. Baekje ficava no sudoeste, enquanto Silla estava no sudeste. Esses três reinos competiam entre si por território e poder, mas também compartilhavam influências culturais, especialmente da China, como o budismo e sistemas administrativos.
Idade Média
No século VII, o reino de Silla conseguiu uma importante aliança com a dinastia Tang da China e derrotou os reinos rivais. Isso permitiu a unificação de grande parte da península pela primeira vez. Esse período é chamado de Silla Unificada e trouxe um grande desenvolvimento cultural, especialmente no budismo, com a construção de templos e obras de arte religiosas.
Após o declínio de Silla, surgiu a dinastia Goryeo no ano de 918. Foi desse nome que surgiu a palavra “Coreia” usada no Ocidente. Goryeo estabeleceu sua capital na cidade de Kaesong, que hoje está localizada na Coreia do Norte. Esse período foi marcado por uma cultura refinada, grande produção artística e avanços tecnológicos, como a cerâmica celadon. No entanto, a dinastia também enfrentou invasões dos mongóis liderados pelo Império Mongol, que dominou parte da região por um período.
Em 1392, um general chamado Taejo derrubou a dinastia Goryeo e começou a dinastia Joseon. Essa nova dinastia governaria a Coreia por mais de 500 anos. A capital foi transferida para Seul, que na época era chamada de Hanseong ou Hanyang. Eles estabeleceram o confucionismo como base do governo e reorganizou toda a estrutura política e social do país. Foi um período de grande desenvolvimento intelectual e administrativo.
Um dos maiores marcos da dinastia Joseon ocorreu no século XV, quando o rei Sejong, o Grande, criou o Hangul, o alfabeto coreano. Antes disso, a escrita era baseada em caracteres chineses, o que dificultava a alfabetização da população comum. O Hangul foi criado para ser um sistema simples e lógico, permitindo que mais pessoas aprendessem a ler e escrever.
Ao longo dos séculos, a Coreia também enfrentou várias invasões estrangeiras, principalmente do Japão e de povos vindos do norte. Essas guerras fortaleceram a tendência do país de se isolar para proteger sua cultura e estabilidade.
Idade Moderna
O primeiro contato entre europeus e coreanos ocorreu de forma indireta e lenta, principalmente a partir do final do século XVI. Cartas jesuítas indicam que, entre 1566 e 1567, o padre espanhol Cosme de Torres teria tentado enviar o jesuíta português Gaspar Vilela do Japão para a Coreia, sendo esta possivelmente a primeira tentativa de evangelização portuguesa. A Guerra Imjin (1592-1598), foi um conflito entre a Coreia e o Japão que facilitou os primeiros contatos diretos entre prisioneiros de guerra coreanos e missionários portugueses que atuavam na região.
A partir do século XVII, especialmente, a Coreia passou a restringir fortemente o contato com estrangeiros, o que fez com que o país fosse conhecido no Ocidente como o “Reino Eremita”. Apesar disso, ainda havia contato limitado com a China e algum intercâmbio cultural.
Idade Contemporânea
No século XIX, a situação começou a mudar. O Japão passou por uma modernização rápida durante a Restauração Meiji e começou a expandir sua influência na Ásia. Em 1876, o Japão forçou a Coreia a assinar o Tratado de Ganghwa, que abriu os portos coreanos ao comércio japonês e enfraqueceu a soberania do país. A partir daí, outras potências também começaram a pressionar a Coreia.
Entre 1894 e 1895, ocorreu a Primeira Guerra Sino-Japonesa, na qual o Japão derrotou a China e passou a ter grande influência sobre a Coreia. A rainha coreana Myeongseong, que tentava resistir à influência japonesa e buscava o apoio da Rússia, foi assassinada por agentes ligados ao Japão, o que aumentou ainda mais a instabilidade política.
Em 1897, o rei Gojong havia tentado fortalecer o Estado ao proclamar o Império Coreano, elevando seu título de rei para imperador. No entanto, esse esforço não foi suficiente para impedir o avanço japonês, e o império durou pouco tempo.
Em 1904 e 1905, ocorreu a Guerra Russo-Japonesa, que terminou com a vitória do Japão. Isso consolidou sua posição dominante na região. Em 1905, a Coreia foi transformada em um protetorado japonês por meio do Tratado de Eulsa, perdendo o controle de sua política externa. Finalmente, em 1910, o Japão anexou oficialmente a Coreia, encerrando a dinastia Joseon e a independência do país.
Durante a ocupação japonesa, que durou de 1910 a 1945, a Coreia perdeu sua independência política. O governo japonês controlava a administração, explorava recursos naturais e tentava suprimir a cultura coreana, inclusive incentivando o uso da língua japonesa.
Apesar da repressão japonesa, surgiram importantes movimentos de resistência na Coreia, sendo o mais marcante o Movimento Primeiro de Março, iniciado em 1º de março de 1919. Nesse dia, líderes coreanos proclamaram uma Declaração de Independência em Seul, dando início a uma série de manifestações pacíficas que rapidamente se espalharam por todo o país. Milhões de pessoas, incluindo estudantes, trabalhadores e líderes religiosos, participaram dos protestos, demonstrando um forte sentimento nacionalista. A reação do governo japonês foi violenta, resultando na morte de milhares de coreanos e na prisão de muitos outros. Mesmo sem alcançar a independência imediata, o movimento teve grande importância histórica, pois fortaleceu a identidade nacional coreana, atraiu atenção internacional para a causa e levou à criação do Governo Provisório da República da Coreia, que passou a coordenar a resistência no exterior.
Durante a Segunda Guerra Mundial, a Coreia permaneceu sob domínio do Japão e foi integrada ao esforço de guerra japonês. Milhares de coreanos foram forçados a trabalhar em fábricas, minas e obras militares, tanto na própria península quanto em outras regiões do império japonês. Além disso, muitos homens foram recrutados para servir no exército japonês, enquanto diversas mulheres coreanas foram vítimas do sistema de escravidão sexual imposto pelo Japão, conhecidas como “mulheres de conforto”. O governo japonês também intensificou políticas de assimilação cultural, proibindo o uso da língua coreana em muitos contextos e incentivando a adoção de nomes japoneses.
Com a derrota do Japão em 1945, ao final da guerra, a Coreia foi finalmente libertada de 35 anos de ocupação. No entanto, a independência não resultou imediatamente em um Estado unificado. Em um contexto de crescente rivalidade entre as potências vencedoras, especialmente durante o início da Guerra Fria, a península coreana foi dividida provisoriamente ao longo do paralelo 38. Ao norte, a região ficou sob influência da União Soviética, que apoiou a formação de um governo socialista liderado por Kim Il-sung. Ao sul, os Estados Unidos estabeleceram uma administração militar e apoiaram a criação de um governo alinhado ao modelo capitalista, liderado por Syngman Rhee.
Essa divisão, inicialmente pensada como temporária, acabou se consolidando com o agravamento das tensões ideológicas entre os blocos socialista e capitalista. Em 1948, foram oficialmente criados dois Estados distintos: a Coreia do Norte, com um regime comunista, e a Coreia do Sul, com um governo anticomunista.
A Guerra da Coreia teve início em 25 de junho de 1950, quando a Coreia do Norte, liderada por Kim Il-sung, invadiu a Coreia do Sul com o objetivo de unificar a península sob um regime socialista, em meio às tensões da Guerra Fria.
Em resposta, forças da Organização das Nações Unidas, lideradas pelos Estados Unidos, intervieram em apoio ao Sul, governado por Syngman Rhee. O conflito foi marcado por intensos combates e constantes mudanças de território, com a capital Seul sendo conquistada e reconquistada várias vezes, além da entrada da China ao lado do Norte, o que ampliou ainda mais a guerra.
Após três anos de confrontos e milhões de mortes, o conflito terminou em 1953 com um armistício, e não com um tratado de paz definitivo, mantendo a divisão da península ao longo do paralelo 38 e estabelecendo a Zona Desmilitarizada (DMZ), que existe até hoje.
Após o fim da Guerra da Coreia, a Coreia do Norte continuou sendo governada por Kim Il-sung, que consolidou um regime socialista fortemente centralizado, baseado na ideologia do juche, que enfatiza autossuficiência e independência política.
Nas primeiras décadas após a guerra, o país recebeu apoio da União Soviética e da China, o que ajudou na reconstrução inicial e na industrialização. No entanto, a partir do fim da Guerra Fria e da dissolução da União Soviética em 1991, a Coreia do Norte perdeu grande parte de seus aliados econômicos, entrando em uma grave crise econômica nos anos 1990, marcada por escassez de alimentos e fome em massa. Mesmo assim, o regime permaneceu fechado e sob forte controle estatal, especialmente sob a liderança de Kim Jong-il e, posteriormente, de Kim Jong-un, que mantém o poder até hoje.
O país também passou a investir fortemente em programas militares e nucleares, o que gerou tensões internacionais e sanções econômicas impostas por diversos países e pela ONU. Até os dias atuais, a Coreia do Norte permanece como um dos Estados mais isolados do mundo, com uma economia centralizada, controle rígido da população e relações diplomáticas limitadas. Além disso, mantém um sistema político altamente restritivo em relação à religião, com forte controle estatal e relatos de perseguição a cristãos e outras práticas religiosas, já que o governo considera a religião uma possível ameaça ao regime e à ideologia oficial.
Já a Coreia do Sul permaneceu devastada, com sua economia destruída e grande parte da infraestrutura em ruínas. Nos primeiros anos, o país foi governado por Syngman Rhee, em um regime autoritário marcado por instabilidade política e dificuldades econômicas. Um dos principais marcos dessa fase foi a Revolução de Abril de 1960, que derrubou Rhee após protestos populares contra fraudes eleitorais.
Em seguida, o país passou por um período de governos militares, especialmente sob o comando de Park Chung-hee, que governou de 1961 a 1979 e promoveu um rápido processo de industrialização e modernização econômica, conhecido como o “Milagre do Rio Han”, transformando a Coreia do Sul de um país pobre e agrário em uma economia industrial em crescimento. Apesar do desenvolvimento econômico, esse período também foi marcado por repressão política.
A partir da década de 1980, movimentos democráticos ganharam força, culminando em reformas políticas importantes e na consolidação da democracia em 1987. Desde então, a Coreia do Sul tornou-se uma república democrática estável, com forte crescimento tecnológico, industrial e cultural, tornando-se uma das principais economias da Ásia e um importante ator global, especialmente nas áreas de tecnologia, cultura pop, comércio internacional e pela diversidade religiosa, com uma presença significativa do cristianismo, especialmente o protestantismo e o catolicismo, além do budismo. Esse crescimento do cristianismo ocorreu principalmente no século XX, durante o período de modernização do país e forte influência cultural dos Estados Unidos após a Guerra da Coreia. As Igrejas cristãs também tiveram papel importante em movimentos sociais e democráticos, contribuindo para a organização civil e a defesa de direitos durante períodos autoritários.
REFERÊNCIAS
BRASIL ESCOLA. Coreia: história, cultura e divisão. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/geografia/coreia.htm. Acesso em: 12 maio 2026.
BRITANNICA. Korea. Encyclopaedia Britannica. Disponível em: https://www.britannica.com/place/Korea. Acesso em: 12 maio 2026.
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PARK, Eugene Y. Korea: A History. Stanford: Stanford University Press, 2022.HISTÓRIA da Coreia. [S.L]: Emiliano Unzer, 2019. P&B. Disponível em: https://www.youtube.com/playlist?list=PL8R17eCoEoMwz623JhfLIOohhUJ_KipO6. Acesso em: 21 maio 2026.

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